Esse Blog não é sobre resenha de discos. No entanto usa a música como fundo de contos e "causos". Como se fosse uma trilha sonora das narrativas. Enfim...
O quarto álbum de estúdio do duo Steve Wilson e Aviv Geffen está recheados de participações : Brett Anderson (Suede), Vicent Canavagh (Anathema) e Jonathan Donahue (Mercury Rev).
01. Pills 02. Springtime 03. XRay (Featuring Vincent Cavanagh – Anathema) 04. Sense Of Insanity 05. Firefly (Featuring Brett Anderson – Suede) 06. The Only Fool Is Me (Featuring Jonathan Donahue – Mercury Rev) 07. Jupiter 08. Kissed By The Devil 09. Lost Souls 10. Faking 11. After The Rain
Que tudo termine sem
palavras e olhares, termine sem final e sem continuação. Sem lembranças e sem
remorsos, que haja chuva, que haja vento e que também haja frio. Que silencio
prolongue um pouco mais, que tenha curvas perigosas na estrada e morros
íngremes no percurso.
Eu não sei se estou
alegre ou estou triste, tenho alergias de amores que terminam, coriza irritante
que não me deixa dormir e a vontade de estar num outro planeta.
Chuva, vento e frio.
A janela aberta e a luz acesa do quarto, na mesa de cabeceira Amitriptilina e
copo de água. No aparelho de som do lado oposto toca o novo álbum do My Blood
Valentine.
Há um disco voador
sobrevoando minha casa atraídos provavelmente pela música emanada pelo aparelho
de som:
She Found Now -
Tanto tempo esperando o que era esperado a confusão sonora disfarçada na doçura
vocal, acendo incensos nos quatro cantos do quarto e pernilongos camicazes que
irrompem a escuridão.
Agora são dois
discos voadores e, além pernilongos há baratas camicazes também. Sento-me de
costas para janela depois de testemunhar um mendigo e seu cachorro sendo
abduzindo pelo disco voador que chegou primeiro. "Only Tomorrow" faz
trilha sonora perfeita do meu desespero, da batida acelerada do meu coração, do
calafrio que vem de baixo para cima, dos olhos desconfiados mas, ainda
castanhos, da vontade de rastejar até aparelho de som e desligar aqueles ruídos
ensurdecedores, aqueles riffs desencontrados porém entre eu e o aparelho existem
discos voadores, o coração acelerado e Only Tomorrow.
Penso em ligar pra você
e falar sobre o que está acontecendo aqui. No entanto eu imagino você dizer:
_ Você é muito cara
de pau mesmo. Você me humilhou quase agora, me deixou falando sozinha. Sabe
Rober para com isso. Pare com esses remédios para dormir, pare com essa
bebedeira, pare com essas músicas esquisitas que você ouve e, agora essa, um
mendigo e seu cachorro abduzindo por disco voador.
Crio coragem e me
levanto com ideia fixa que discos voadores realmente não existem, que essas músicas
esquisitas e barulhentas são as verdadeiras culpadas por meu colapso mental. Acendo
um cigarro criando círculos com a fumaça, caminho mais leve e com sorriso
fresco em direção do aparelho de som, sem olhar para trás com a ideia fixa que discos
voadores não existem.
E nesse momento eu
ouço os primeiros acordes de I Another Way e inexplicavelmente começo a dançar
feito Ian Curtis com alguns passos no improviso de Thom Yorke. Porém a música
mais chapada do álbum estar por vir mas, antes que isto aconteça olho para trás
e testemunho dezenas de discos voadores com luzes coloridas piscando
freneticamente.
Nothing Is é a música do ano. Ian Curtis toma
posse do meu corpo numa desvairada dança epilética. Que doideira é essa.
Exausto
caio na cama antes do final de Wonder 2 e com olhos vidrados eu penso em você sem ter a certeza ainda se estou alegre ou triste, tenho alergias de amores que
terminam. Lá fora os discos voadores já foram embora, tomo dois comprimidos de
Amitriptilina...
Nem isso nem aquilo é a
primeira impressão causada pelo novo álbum do Editors intitulado “The Weight of Your Love”. Confesso que depois de lançado o single “A Ton Of Love” gerou uma expectativa
bastante positiva e, ouvindo o álbum completo tornou-se uma quase
decepção.
Por isso...
...Segunda chance para “The Weight Of Your Love”.
Fui convidado através de
Rede Social a participar de uma manifestação no Centro da cidade de
Pindamonhangaba. Sim manifestação oriunda do movimento Passe Livre de São Paulo
(Capital) onde jovens estudantes lutavam para redução do preço da passagem do
transporte publico e, espalhou para o Brasil
inteiro com revindicações diferentes . O que chamou atenção no protesto
que ia ocorrer aqui em Pindamonhangaba era próprio nome do protesto:
Geraldo Alckmin... Pindamonhangaba
tem vergonha de você.
Deve-se lembrar de que Geraldo José Rodrigues Alckmin
Filho é Pindamonhangabense.
Quinze minutos de
caminhada é a distancia que separa minha casa da Praça da Cascata onde tal
evento aconteceria.
Aperto o Play.
The Weight – a primeira vez que
ouvi essa música eu estava sentado em frente do computador talvez, na terceira
cerveja e não me empolgou. Mas, agora em movimento, carros indos e vindos, o
vento contra, o sol escondendo, é diferente. Opa! Tropecei numa pedra.
Aproximando ao centro vejo
os primeiros cartazes e um chamou minha atenção:
The Alckmin Dead.
Eu ri.
Honesty – É Rock arena, ao vivo
deve funcionar lindamente, com celulares e coreografia das mãos “Ooooooo, Ooooooo”.
Sem causar alarde, sem
querer chamar atenção paro perto de arvore onde a luz do poste não é tão
eficiente e, dali observo centenas de jovens que saíram apressadamente de seus
lares sem ao menos desligarem a pagina do Facebook , também observo alguns
amigos da velha guarda com seus trintões e quarentões perdidos ali no meio.
Porra, que esses caras estão fazendo ali no meio. Será que estão como
acompanhantes de seus filhos? Sobrinhos? Ou são organizadores desses eventos? Eu
não sei. Realmente eu não sei.
Incrível o Fabião está
com a mesma boina que ele usou numa manifestação que participei no começo dos
anos 90, contra o serviço militar obrigatório. Isto sim era manifestação séria,
com idéias e rebeldia. Fomos presos e liberados com a satisfação de dever
comprido. É bem diferente do que eu vejo do meu posto de observação mal iluminado
dizendo não a PEC 37 sem ao menos saber o que é isso, usando máscara
do V da
vingança sem ao menos ler a historia em gibi ou ter assistido a versão cinematográfica.
Que porra o Fabião está
fazendo ali no meio?
Nothing – É maravilhosa, fico arrepiado ao ouvir. De
repente Pindamonhangaba se apaga, eu vejo estrelas, eu vejo a lua,
descaracterizo do que sou. Eu não sou, eu não sei, perco-me do que eu fui.
Caminho desorientado no meio da multidão, amparo me num jovem mascarado com a
bandeira do Brasil em punho. Respiro e me sento no banco da praça... Enquanto Tom Smith finaliza:
Every
conversation within you Starts a celebration in me Till I got nothing left I got nothing left I got nothing left I got nothing left
Acho que
ganhei um admirador que vigia-me de longe com a máscara do V Da Vingança,
admito que essa máscara provoca-me receio, porém finjo nem ligar. Rumo agora
para Prefeitura com as indesejáveis companhias de dezenas policiais, no entanto
o que incomoda mesmo é essa “xaropante” musica do Falcão “Vem Pra Rua”.
Agora em
frente da Prefeitura gritos eufóricos, cartazes erguidos e um refrão crescente
entoados por velhos, jovens e até mesmo criança.
_Ei Vitão vai tomar no cú.
Devo
lembrar que
Vitão é Vito
Ardito Lerário atual
Prefeito de Pindamonhangaba e há rumores de cassação do seu mandato devido uma
condenação sustentada pela lei da Ficha Limpa. No entanto o que me deixa aturdido
é o horário que os manifestantes resolveram vir, o expediente já está
encerrado. Azar dos seguranças do local.
Two Hearted Spider – pela
segunda vez eu me desligo de tudo, as pessoas, o carro da policia o Fabião, o
pipoqueiro da esquina, a Prefeitura e, tudo que consigo ver vão ficando
embaçado menos o mascarado que me vigia.
Desisti
de acompanhar a manifestação, passei no bar tomei duas cervejas e, decidi fazer
o caminho de volta sem pressa nenhuma deixando as folhas que caem das arvores me
ultrapassar, do outro lado o mascarado que me vigia também me ultrapassa...
Engraçado agora sou eu que o vigio, e, isso não me deixa nem um pouquinho mais
corajoso.
O Editors deixou os teclados do ultimo Àlbum In This Light
And On This Evening (2009)
de fora e apostou num som mais próximo do elogiado primeiro Àlbum The Back Room(2005). Enfim, nada espetacular, porém, um
bom Àlbum de trilha sonora para uma manifestação sem compromisso nenhum.