sábado, 5 de outubro de 2013

Manic street Preachers – Rewind The Film

Manic street Preachers – Rewind The Film
Arruma o seu cabelo e passa suavemente o seu batom vermelho em seus lábios finos, seu sapato de salto alto está atrás da porta, o perfume que incendeia o quarto inteiro está logo ali na penteadeira e os meus sentimentos desimportantes estão todos aqui comigo. Ela ri o tempo todo diante do espelho, me chama pra ajudar fechar o zíper do seu vestido estampado florido, está preocupada com a chuva que não para, simula um beijo na minha direção a distância pra não borrar os seus lábios.
Antes de entrar no carro diz palavra de baixo escalão por eu não ter lavado o carro. Bate porta enfezada depois me xinga por ter quebrado a unha do dedo anelar de sua mão esquerda. Ela me Pede pra virar a próxima direita e, depois que viro:

_Não era essa, era próxima direita.

Ligo o som do carro.

_Que é isso?
_Isso o que?
_Que está tocando?

_É novo Album do Manic Street Preachers (Rewind The Film)... Baixei hoje à tarde.

_Não gostei. Na verdade nunca gostei Manic. 
Depois de alguns segundos.

_Minto, gostei sim de uma música que tinha um vídeo de crianças sem olhos ou bocas... Sei lá, coisa assim.
_If You Tolarate This Your Children Will Be Next.
_É... Deve ser essa mesma.



_Enfim, o Álbum inteiro deve ser chato mas, está música salva. Não gosto dessas bandas do Reino Unido, e, acelera essa bugiganga.

As duas primeiras faixas Rewind The Film: This Sullen Welsh Heart e Show Me The Wonder não era exatamente o que eu esperava ouvir porém, confesso ter gostado.



_ Não tem jeito de você colocar um som do Coldplay ai?

Finjo não ouvir.
A sonoridade está muito diferente...

_Olha lombada.
_Tô vendo.

_Ah tá vendo. Se eu não falo aqui.



No entanto foi na introdução da música (I Miss The) Tokio Skyline que eu imaginei nunca ter casado, nunca ter filho. Imaginei me sozinho no carro com os para-brisas ligados. Sim, com alguns cabelos brancos, com barba pra fazer, com algumas rugas no canto dos olhos, a barriga avantajada como agora, virando para esquerda ou para direita, buzinando pra “minas” no ponto de ônibus, passando por cima de lombadas e, entrando pela contramão. Sim, errando marchas sempre, sem perder a direção.
Extasiados nos pensamentos ou na música, buzinei “para as minas” no ponto de ônibus e antes de dizer alguma coisa um beliscão raivoso quase tirou parte do meu braço, com gemido quase inaudível porém com uma dor gigantesca continuei firme no volante. Juro que quando aproximei da curva sinuosa vizinha de uma ribanceira “eu pensei merda”, tremulo e com suor escorrendo eu vi a morte convidativa com capuz de praxe. Mas eu vi também meu filho caçula com um olhar perdido atrás da morte. Freei fundo que os pneus deixaram marcas no asfalto, não houve uma reclamação ou beliscão. Não houve uma troca de olhar ou palavra.


Lembro-me que ao final do Álbum Rewind The Film houve um silencio mortal. Eu extasiado com o que tinha ouvido, ela talvez pensando em divórcio.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Herod – Umbra


Herod – Umbra

Já faz algum tempo que quando eu quero ouvir um álbum novo, eu entro no meu carro sem destino certo, aperto play e sigo sem rumo.

O centro vazio de Pindamonhangaba e a música “Penumbra" poderia passar despercebida. No entanto o efeito é hipnótico e crescente me leva num mundo escuro e desolador de um céu sem estrelas e sem lua e, por duas vezes seguidas eu vi o Planeta Marte passar diante dos meus olhos, e, somente uma freada brusca de um Honda Civic me fez voltar a realidade.

  
Encostamento urgente, um brutamonte aproximou-se, era o dono do Honda Civic querendo me espancar. Explicar pra ele que música que rolava no aparelho do meu carro era a grande culpada soaria um tanto ingênuo. Pra piorar a situação um motoqueiro com a camiseta do Ramones me acusou de ter atravessado dois sinais vermelhos... Porra, não era Marte.




Chutaram o meu carro quando decidi sair queimando os pneus, não olhei pro retrovisor quando engatava a segunda marcha e a lombada quase quebrou o amortecedor do meu carro.

“Collapse” -  é uma música imprudente quando se está no volante, é uma música que faz você pisar não se importando com a curva sinuosa que se aproxima. Ultrapassar pela o direita ou esquerda é o menos importante, o vento que entra faz onda depois vai embora, as luzes das ruas é apenas risco luminoso continuo.




Marte de novo e, um pedestre ecoando em meus ouvidos:
_Filho da putaaaaaaaaaaaaaaaaaa.




Parei no encostamento com a sensação de experienciar uma missão no GTA 5. Acendi um cigarro com o coração pulsando a mil. Precisava me acalmar e a introdução da música Limbo traz a calmaria, o vento suave no rosto, eu até reparei o aparecimento de algumas estrelas no céu, a coruja atenta no pico de um poste de luz.  Porém a calmaria dura apenas 49 segundos exatos. Tudo culpa do perturbado Jair Naves que irrompeu o silencio:

Tateando sem folego e sem direção...

Esbraveja.

Jair insano, Jair demente, Jair amalucado, Jair aluado... Jair Naves
Solto o freio de mão, seta para esquerda.
Jair insano, Jair demente, Jair amalucado, Jair aluado... Jair Naves.

Blinder – A menos sombria, a quase pop, se pop fosse derivado de melancolia e, se a melancolia fosse palpável. Eu rio olhando para o retrovisor, a minha vida está logo atrás, sem graça e abatida. Eu, sem vida tamborilo os dedos acompanhando a canção. Minha vida me segue sem direção. Repentinamente entro pela contramão, viro a direita e pela terceira vez estaciono, minha vida estaciona atrás.
Saio do carro e Lumia fica quase inaudível com as portas do carro fechadas. 


Herod

Agora sim eu vejo a lua plena e reluzente.
“A lua é o sol da noite” frase elaborada no ultimo trago do cigarro, no termino de um olhar, no fim de suspiro profundo,
Bem, já estou em Antumbra um zunido persistente, um perfeito transe para minha cabeça, erro a marcha e acelero, passo por cima de minha vida que estava estacionada logo atrás e o zunido continua, microfonias elaboradas mas, ainda microfonias desajustadas que libera em mim a síndrome do narcisismo maligno.



Umbra é o falso calmante, relaxa nos primeiros acordes, alivia tensão e cria falsa expectativa que não é tão sombrio, Mentira desvendada, Umbra apresenta um mundo sombrio sem apetrechos e sem exageros. Um mergulho num lago escuro no meio da noite. Há borbulhas pelo o lago inteiro, há barcos e salva-vidas de plantão, mergulhadores, lanternas acesas, há familiares em volta do lago com seus Androids 4.0 emitindo informações. Porém o que temos são borbulhas apenas borbulhas no lago escuro no meio da noite...








Jake Bugg - What Doesn't Kill You ( Single 2013)


terça-feira, 24 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...