Esse Blog não é sobre resenha de discos. No entanto usa a música como fundo de contos e "causos". Como se fosse uma trilha sonora das narrativas. Enfim...
Eu não sei o motivo mas, eu estou sendo perseguido o tempo todo. Já é a terceira vez que acordo no meio da madrugada com o barulho de prato e talheres na cozinha. Levanto-me assustado e lentamente caminho para cozinha. Acendo à luz, há copo, prato e talheres sobre mesa que juro que não fui eu que deixei ali.
Comprei um revolver na semana passada, e ele, sempre caminha comigo nesses passeios noturnos, desconfortante ele fica no cós da calça na minha cintura, fico com a mão no coldre o tempo todo. Faço a revista completa da cozinha, há não ser o copo, prato e os talheres em cima da mesa tudo parece estar ok.
Semana passada quando fui ao medico eu cheguei a relatar esses fatos como a insônia, a sensação de estar sendo perseguido, os barulhos da cozinha, passos no quintal, etc...
_Quanto tudo isso começou? Perguntou o medico.
_Eu não sei exatamente o dia. Respondi.
Na verdade eu sei exatamente o dia que começou porém, dizer para o medico que tudo começou quando fiz um download pela Internet de um “Ep” intitulado “Starfire Connective Sound EP” ele me chamaria de um demente e certamente receitaria remédio tarja preta e também me afastaria por tempo indeterminado do meu serviço.
Starfire Connective Sound é projeto de Al Schenkel de Santa Catarina: uma mistura noise-punk-shoegaze enfim, perturbação sonora no ultimo grau.
I Sweep the streets without finding god – Apesar de ser calminha é introspectiva pra caralho, o que vem depois é barulho, é disfunção mental, é fantasia, é delírio, é a dança do corpo por estímulos.
This modern cave – Foi razão maior para compra desse meu revolver, é doentia, é sombria, é um ritual com seqüelas físicas.
Quem é Al Schenkel?
Talvez a reencarnação de uma alma pertubada...rs.
Bam... Disparei meu revolver antes que a música “Walt Whitman`s brain” terminasse. Eu vi um vulto será que era ladrão, um fantasma ou próprio Al Schenkel?
A nova promessa da musica Australiana atende pelo nome Cloud Control (indie-pop com influências folk). O primeiro Álbum “Bliss Release” têm colhido boas criticas no meio especializado principalmente no Reino Unido. Devo destacar também o vocalista Alister Wright que canta docilmente acompanhado quase sempre de Heidi Lenffer transformando num duo fantástico.
Fui dispensado do serviço hoje, uma alergia apossou do meu corpo. Segundo o médico de plantão: a pressão arterial normal, sem febre, sem diabete e sem resfriado. Apenas uma coceira gigante. Essas mudanças climáticas constantes têm judiado-me bastante. A má alimentação, a bebida e a insônia têm deixado meu corpo indefeso a qualquer vírus, até mesmo aqueles combatidos com uma simples dose de antibiótico tem causado estrago em meu corpo. Porém o pior de tudo é a solidão. É o abrir e o fechar do portão. Nenhuma dessas duas opções me deixa contente ou aliviado. Meu Deus que vontade que tenho de desaparecer, de sumir, de não existir.
Quando era um adolescente e me sentia assim, colocava logo no toca disco o vinil do Sex Pistols e saia quebrando tudo, agora “Tiozinho trintão nostálgico”, acendo meu cigarro, procuro The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, e, sento na poltrona que Cristina comprou pra mim no auge do nosso casamento e ali, entre uma baforada e outra eu revejo minha vida num slide imaginário.
Na introdução de Breathe já rola a primeira lagrima, nem tento interceptar, outras virão. Ligo pra casa de minha sogra onde os meus filhos moram agora. Sou surpreendido, quem atendeu ao telefone foi meu filho mais novo de apenas três anos.
_Quem é?
_Dudu é o Papai.
_Quem é?
_O Papai Dudu.
_Papai eu vi sapo hoje.
_Um sapo?
_Ele era desse tamanho.
Deixa o telefone cair, talvez pra mostrar com as duas mãos o tamanho do sapo.
_Dudu assim você quebra o telefone.
Era voz de minha sogra.
_Vovó é o meu papai, é meu papai.
Consigo ouvir Dudu gritando.
_Alô?
Desligo o telefone quando minha sogra diz “Alô?”. Gosto de minha sogra só não queria que ela percebesse que estava chorando.
Acendo outro cigarro e vejo na estante a foto de Cristina sorrindo. Sei lá o por quê? Mas essa foto me perturba demais. Levanto da poltrona quando começa Us and Them e, caminhando lentamente para cozinha, risco um palito de fósforo e ponho fogo numa das pontas do retrato quadrangular, rapidamente a fotografia vira um amontoado de cinzas no canto da pia de mármore:
Us and Them
It was only a difference of opinion, but really...I mean
Era somente uma divergência de opinião, mas.
Good manners
realmente
Don’t cost nothing do they, eh?"
Boas maneiras não custam nada custam, eh?”“.
Engulo o comprimido que o medico indicou com cerveja. Volta para a poltrona, a estante já não me incomoda mais como dez minutos atrás, agora o que me incomoda é o suor que transita pelo meu rosto, um suor frio e vagaroso.
Engraçado a sonoridade Brain Damage me fez lembrar do Radiohead, mas, deve ser também efeito do remédio com cerveja. E, devo acrescentar que o riso no meio da musica também, fez me rir desenfreadamenteaté transforma-se num choro compulsivo sem lagrimas.
Acho que todo mundo que viveu aquela época (anos 80)têm suas prediletas. No entanto essa são as minhas preferidas e, não respeitam se album inteiro é bom ou se artista têm credibilidades. Enfim são musicas que me marcaram e de certa forma moldou minha personalidade de algum jeito ou de qualquer jeito(rs).
Mas Fernanda insiste que quer verdade. Então eu conto a verdade e Fernanda não acredita.
Ai eu sento no colchão e olho diretamente para seus olhos:
_ Você quer a verdade né Fernanda. Então vou lhe contar...
E novamente eu minto. Ela se levanta rapidamente da cama me chama de “trouxa” bate a porta do quarto. Volta pra pegar sua bolsa, com olhos já vermelhos e com um rápido movimento com as mãos tenta esconder algumas lágrimas.
“_O que você está olhando seu estúpido.” Bate porta novamente.
Gomez – Whatevers on your mind
Depois que Fernanda bateu a porta pela segunda vez eu decidi ficar um tempinho a mais naquele quarto. Peguei meu mp4 e aproximei da janela, estava no terceiro andar daquele apartamento e a noite era fria. Acendi um cigarro olhando pra lua e ainda pude ver Fernanda adentrando no ônibus.
Whatevers on your mind é o sétimo àlbum de estúdio da banda Gomez que um dia já foi considerado a banda Hype do momento. E, voce ouvindo o sétimo álbum dos caras você vê que nada mudou, há não ser que outras bandas hype da mesma época (Supergrass, Travis, etc...) aconteceram, deixaram de ser promessas, estouraram, enriqueceram e extinguiram e o Gomez continua ali no mesmo no lugar quase que um desconhecido.
Embora esse lançamento já estivesse em meu mp4 uns dois meses, eu nunca deixei passar da segunda musica i will take you there... Enfim (acho que vou mudar o nome desse Blog para “Enfim”) eu acabei deixar rolar a terceira musica vendo Fernanda jogar o cigarro quase que por inteiro para adentrar o ônibus... Sim, ela olhou para o terceiro andar pois sabia que eu estaria lá, na janela.
Ben Ottewell esse é o cara, quando eu ouço sua voz rouca eu tenho certeza que essa é banda Gomez. Se eu tivesse uma banda e se eu fosse vocalista da banda e, num desses ensaios rotineiros o baterista ou guitarrista pedisse pra cantar alguma musica e, se esse baterisa ou guitarrista fosse o Ben Ottewell eu me mandaria embora.
Whatevers on your mind a musica paralisa-me, que quase não percebo o dedo do meio que Fernanda me apontou ao subir no ônibus.
Engraçado minha verdade é tão pobre que ninguém acredita. Eu precisei da mentira desde pequenino, a mentira sempre foi meu escudo, e eu sempre me esquivei dos meus problemas usando a mentira e pelo jeito, a mentira continurá sendo meu escudo.
Our Goodbye outra vez Ben Ottewell me faz acordar, já não vejo a lua, encoberta por nuvens escuras, talvez até chova e a temperatura caia ainda mais, e eu, não duvide que Fernanda já esteja dormindo abraçado com seu grande urso de pelúcia.
Na verdade o que eu gosto da banda Gomez é essa persistência de fazer o que gosta, o sucesso imediato nunca foi a preocupação maior e a verdade é cinza.
Whatevers on your mind é tão bom quantoBring It On e Liquid Skinoo restoé imposição da critica.
No entanto eu deveria ser mais corajoso e deixar a minha vida mais cinza. Cara, e, se ninguém acreditar? Duvidar de mim? Achar cores onde não existe, pincelar o azul no negrume da minha alma. E se Fernanda voltar e pedir desculpas pelas minhas mentiras e, dizer que acredita nelas.
_”Pelo menos você disse verdade Rober.” “É isso que importa.”
"Sua música evoca algo substancial dos álbuns experimentais de início dos anos 90 ícones Smashing Pumpkins, ou os panoramas violentamente plácidas do eficaz My Bloody Valentine."
Taubaté é um município no interior do estado de São Paulo. Localizado na região
Do Vale do Paraíba, distancia 130 km da capital paulista, 280 km do Rio de Janeiro, 90 km de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo e 45 km de Campos de Jordão, na Serra da Mantiqueira.
Taubaté sempre foi conhecida como uma típica cidade do interior Paulista: tranqüila e pacata e, diante dos braços abertos e olhar atento do Cristo Redentor (replica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro) que fica no ponto mais alto da cidade o Bairro Alto do Cristo.
Diante de toda calmaria acho que o Cristo adormeceu por alguns minutos e, quando abriu os olhos assustou com o que viu, uma nova Taubaté empoeirada pelas novas construções de argamassas e cimentos, incomodado com transito caótico, inconformado com as estatísticas de assassinatos e com numero cada vez maior de pedintes no calçadão. Cristo tentou um novo milagre fechar os olhos e tampar seus ouvidos com as mãos.
Taubaté foi estuprada pelo desenvolvimento e, todo encanto e romantismo não existem mais. O que existe hoje em Taubaté é a pressa de chegar, é a pressa de partir, é a pressa de fugir...
... Bem, conheci o The Vain quando eu estava com pressa de ver a apresentação do Nada Surf , juro que não dei a mínima pra aqueles moleques com influencias notórias do Britpop que eu tanto gostava mas, a pressa é assim mesmo, ela faz você perder a visão panorâmica e você segue como um cavalo com antolhos. Eu não sei por que? Mas o nome The Vain ficou gravado em meu subconsciente mesmo com a pressa que eu estava.
The vain é de Taubaté como Seamus, Syn Ayuda... O Vale do Paraíba com certeza é o mais rico do novo Rock nacional estamos vivendo o revival da safra do café... Seria bastante interessante batizar este movimento como o Rock do Café (alusão da riqueza do café no Vale do Paraíba) ou algo parecido... rs.
Enfim, do show de abertura pro Nada Surf o The Vain mudou bastante. Incorporou sintetizadores sujos e o Britpop tornou-se Britrock mais dançante as vezes lembra Kasabian outrora Happy Mondays e as outras vezes eles são melhores do que tudo isso!!!